Boquete, Panamá

Terra de café e de nuvens!!!!

Chegamos ao Panamá!

Como estamos em época de chuva, a água tem sido uma constante durante toda a viagem. Mas, normalmente, a precipitação era na forma de chuvadas torrenciais, mas de duração curta, entre 30 a 60 minutos, a que raramente não se seguia um dia de sol resplandescente. Mas, desde há mais de uma semana que tudo mudou e, nos últimos 7 dias, praticamente desde que deixamos San José, só vimos o sol durante uma manhã. Aqui não chove somente de cima para baixo, mas também de baixo para cima. A humidade a 100% é contínua e é possível caminhar por entre as nuvens durante todo o dia. Seja ao nível do mar, ou a 1500 metros de altitude, podemos assistir à confusão que vai na cabeça destas gotas de água que não se decidem se subir ou descer, então é incrível presenciar o fenómeno de literalmente ver nuvens a pairar por todo o lado.

Isso não nos parou e decidimos visitar uma fazenda de café. Depois de bem aconselhados decidimos visitar a Finca La Milagrosa, onde tivemos o prazer de conhecer o seu muito simpático e curioso proprietário, Sr. Tito, também conhecido como o MacGyver do café, pois ele próprio, com peças que vão desde um Suzuki 4×4 até uma máquina de lavar roupa e uns candeeiros velhos, criou todas as máquinas que ainda hoje lhe permitem tratar todo o café que produz.

O Panamá é, a nível de quantidades, um produtor de café insignificante a nível mundial, mas tem, na última década sobressaído pela qualidade do seu produto e é, hoje em dia, um local privilegiado para produzir uma variedade de café arábica chamado Geisha, que é o 2º tipo de café mais caro do mundo, sendo somente superado pelo Kopi Luwak ou Café Civeta, que é um café muito especial produzido na Indonésia e que é extraído das fezes da Civeta, um pequeno animal que parece quase um gato que, além de ter a capacidade de escolher somente as melhores bagas de café, ou seja, as mais doces, também processa as mesmas, através das enzimas no seu sistema digestivo, tornando este café tão especial, quer pelo seu sabor, quer devido à quantidade tão reduzida que é produzida.

Apesar de ser uma espécie muito mais difícil de cultivar e em que cada planta produz muito menos quantidade que as outras variedades de Arábica, o Sr. Tito, produz na sua fazenda, além de outras variedades, o tal café Geisha, que exporta praticamente na sua totalidade para o Japão, onde chegou a ser vendido por 400usd a 500usd por kilo, nos seus melhores anos e que hoje é vendido à volta de 200usd/kg. Este é um dos milagres que diz o Sr. Tito lhe aconteceram e que dão razão ao nome desta quinta – La Milagrosa. Já agora, aproveitamos para explicar a origem da sua marca de café ROYAL que, apesar do seu nome tão sofisticado, é simplesmente a junção do nome dos seus pais ROsa Y ALfredo 🙂

Foi muito interessante ter a oportunidade de conhecer todo o processo de produção do café, desde a sua etapa mais elementar, ou seja, desde que se planta, passando pela colheita, a separação, a seca, até ao processo final de tostar e moer o grão.

Ficamos a saber que uma planta de café demora 5 anos até começar a produzir, e que os seus melhores anos são os seguintes 10, pelo que, apesar de poder viver mais de meia centena de anos, é necessário, para obter boas produções, obter novas plantas cada 15 anos.

Depois é necessário colher os grãos, tarefa que é paga neste momento a cerca de 3usd por cada balde de 10kg (ou lata, como lhe chamam aqui). Normalmente esta tarefa é realizada por trabalhadores indigenas que de maneira sazonal se deslocam até às “fincas” de café para realizarem estes trabalhos.

Obviamente que tivemos a oportunidade de provar um cafézinho bem quente para restabelecernos de toda a chuva que nos caiu em cima aquando da visita à propriedade. Mas, talvez a lição mais prática foi sobre a maneira de tostar café. E aqui lhes ficam alguns conselhos importantes na hora de comprar café. Saibam que há muitos truques usados actualmente pelas grandes empresas produtoras de café, que inclusive juntam milho e feijão aos grãos de café para aumentar a sua quantidade, pelo que ao comprar café moído, é possível que estejamos a beber não só café, mas sim um chá de café, com milho e feijão, por isso o melhor mesmo é comprar o grão inteiro. Além disso, saibam que o café mais escuro e, portanto, mais tostado é normalmente uma maneira de esconder café de menor qualidade, pelo que o café que preserva melhor as suas características intrínsecas é o café menos tostado. E, uma vez que o processo de tostar o grão faz com que ele vá perdendo qualidades, o café mais tostado é o que terá menos cafeína e será, concerteza, mais amargo, pois perde também os seus açucares naturais.

Uma vez que estivemos a provar cafés de altitude, neste caso produzidos à altitude ideal de 1500m sobre o nivel médio das águas do mar e, portanto, da variedade Arábica, estes são cafés com menos cafeina, mais suaves. Ficará, talvez para a Colômbia ou Brasil, a oportunidade de visitar outro tipo de cafezais, nesse caso da variedade Robusta, que, requerem de outro tipo de condições, nomeadamente mais baixas altitudes e que é usada normalmente para a produção do café expresso.

Apesar do maior produtor de café do mundo ser o Brasil que produz mais café que o Vietname, Colômbia e Indonésia juntos, que são os 2º, 3º e 4º maiores produtores de café do planeta, o café, porém, não é nativo das Américas, mas sim de África, mais concretamente da Etiópia, onde reza a lenda que um pastor, verificando que as suas cabras se revelavam muito enérgicas ao comer umas determinadas bagas vermelhas, decidiu fazer um cha com essas mesmas bagas. O chá sabia horrível e, energia extra, nem vê-la, pelo que o pastor irritado atirou as bagas ao fogo. Passados alguns minutos, ainda o pastor não se recompunha de tão horrível experiência e amaldiçoava tão terrível mistela, a fogueira começa a emanar um odor tão delicioso que o pobre pastor não resisitiu a ferver de novo essas mesmas bagas de café, agora já tostadas pelo fogo e previamente trituradas pelo pastor. Assim, guiado pelo cheiro se descobriu o sabor que percorreu um longo caminho, tendo sido inclusive proibido na Europa por ser bebida de infiéis, até se tornar uma bebida tomada em todo o mundo por todas as classes sociais e que hoje em dia começa a ganhar cada vez mais fama e sofisticação.

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3 thoughts on “Boquete, Panamá

  1. Obrigada queridos amigos, Sol e João, por mais esta lição, esta vivência maravilhosa!
    Continuação de uma ótima viagem!
    Estarei sempre atenta às V/ notícias! OBRIGADA!
    mil beijos

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