RUTA DEL “CHE”

RUTA DEL “CHE”

Quer se concorde o discorde dos seus ideais, se seja a favor ou contra dos seus métodos é imposivel deixar de admirar o homem.

Ao contrario de muitos, que em nome da igualdade e da justicia chegaram ao poder e se deixaram embriagar pelo mesmo, El Che continuou até ao dia da sua morte a luta que, ele acreditava com todas as suas forças, traria um mínimo de dignidade aos povos mais desfavorecidos.

Deixou o seu país para lutar, segundo ele mesmo dizia, pelos seus compatriotas e pela sua patria: a América Latina. Depois da sua grande victoria em Cuba, El Comandante percorreu varios países da América, chegou a tomar armas em África e veio a terminar os seus días bem perto da fronteira com o seu país natal.

Nem a asma o impediu quer de fumar os seus puros, que não dispensava, nem de afrontar a humidade constante da selva Boliviana.  Mas, no día 9 de Otubro de 1967 em La Higuera não resistiu a força das armas. Esse dia fusilaram Ernesto Guevara de la Serna.  Mataram o homem, mas não terminaram com o sonho e muito menos com o ideal.

La Higuera é ainda hoje em dia um lugar de acesso bastante difícil, quilómetros e quilómetros de terra batida que parecem intermináveis.  Os transportes públicos não abundam e passam somente em determinados dias da semana.  Mas, perguntando se vai a Roma e nós, lá conseguimos chegar, depois de muitas e muitas horas de caminho, vários autocarros e caminhadas, incluíndo uma noite de acampada no propio terminal de autocarros.

Mas valeu a pena, não porque haja algum monumento espectacular ou algo similar, mas porque, estando no local e ouvindo os locais explicar o que se passou, (algumas coisas porque assim lhes contaram os seus pais ou vizinhos, outras com informações que procuraram colmatar lendo outros livros e, claro, o diário do Che), por momentos parece que retrocedemos a esses días fatídicos.

Quando Guevara chega à Bolivia, vem com intencão de formar neste país um exército guerrilheiro que pudesse libertar toda a América Latina do opresionismo reaccionario.

Escolhe a Bolívia, ao mesmo tempo pela sua situacão social, mas também pela sua posicão geográfica central.  Mas, dificilmente podería ter escolhido pior lugar para conceber o seu sonho eterno.  Desde que cá chegou começou a ser perseguido em conjunto com os seus companheiros e foi abandonado pelo partido comunista boliviano que não aceitou partilhar os ideais de El Comandante e, muito menos, o poder. De novo El Che se encontrava num país extrangeiro, mas, desta vez, sem convite.

Entrando ao país disfarçado e usando dois passaportes diferentes, o Argentino andou incesantemente em fuga até ao día da sua captura, exactamente 11 meses, 1 dia depois.

Visitar La Higuera e Valle Grande é somente recordar e perceber os ultimos 15 dias em que o cerco mais intenso e o sufoco quase permanente por parte dos militares finalmente levaram à captura e à morte do homem cuja imagem se tornou, paradoxalmente, num dos maiores ícones de todos os tempos (haverá alguma cara que apareça em tantas tshirts como a cara do Che?).

De um grupo que não chegou no seu auge, a mais de 50 homems, nos últimos 15 días previos a morte de El Comandante já só restavam 22.

Ao passar por La Higuera, o local estava deserto, a guerrilha percebe que algo está mal e há um miudo que lhes comenta algo sobre outros militares que estão perto. No dia seguinte, próximo daí, em Batan, dá-se um confronto entre um grupo avançado da guerrilha e os militares: dois guerrilheiros desertam e a Che é comunicado que Coco, Miguel e Julio estavam mortos. Os últimos 17 continuam a fuga. São 500 os soldados governamentais que os perseguem. O cerco é cada vez mais sofocante e as condições deploráveis. Sabem que os camponeses estão obrigados a participar qualquer informação que tenham sobre guerilha, mas a falta de provisões obriga-os a arriscar e, junto à Quebrada de El Churo, um pequeno riacho, encontram uma senhora, uma anã, que acede a fornecer-lhes batatas, carne de cabrito e ovos cozidos. A guerrilha regressa, escondida pela noite, para recolher a ajuda da senhora, cuja pobreza el Ché descreve no último dia do seu diário. Um camponês, que irrigava o seu campo durante a noite, dá conta do movimento guerrilheiro e apura-se a denunciá-los aos militares mais próximos.  O final era já inevitavel.

Um círculo de militares forma um perímetro extenso que se vai apertando, encurralando os guerrilheiros. Sem lugar por onde escapar, os homems de Guevara combatem desesperadamente até a morte e, um a um, vão sendo abatidos num combate que dura largas horas.  Seis conseguem escapar, dos quais um sería morto dias depois e os cinco restantes chegariam ao Chile onde seríam recebidos pelo governo de Salvador Allende. Três eram cubanos e ainda hoje estão vivos, dois em Cuba e o outro obrigado a exilar-se em França, por acusar Fidel de ser o responsavel pelo fim de Che Guevara, por tê-lo abandonado quando mais ele necesitava. Os otros dois, Bolivianos, regressaram a seu país. Darío ainda é vivo e reside em Cochabamba.  “Inti”, morreu dois anos depois numa manifestação em La Paz.

Até ao momento em que a perna do Che foi atingida por uma bala, já só lutavam pela sua vida ele, Willy e Chino. Che gritou então aos militares que ele era mais valioso vivo que morto e o tiroteo cessou.  O Argentino ajudado por Willy e por outro militar percorreu vários quilómetros por caminhos quase inesistentes até La Higuera, onde chegou a meio da noite. Na manhã seguinte chegaría um helicóptero com agentes da CIA e um telégrafo com a orden para a execução.

-“Dois voluntarios!!”- pediu o capitão das tropas. E dois oficiais entraram na escola primaria onde Che, Willy e Chino passaram a noite. Um para cada uma das duas pequenas salas que num dia normal serviam para ensinar o alfabeto aos mais pequenos.  Perante a hesitação do cabo Mario Terán, Che gritou: “Calma soldado, tan solo le va a disparar a un hombre!”. Foi suficiente para que a arma que empunhava se esvaziasse no peito do herói de Santa Clara. Os corpos seriam então transportados até Valle Grande, exibidos ao povo e à imprensa na Lavandaria do Hospital Señor de Malta. Levado depois para a morgue, o corpo de Ernesto Guevara foi autopsiado e as suas mãos cortadas. Durante a noite sería levado a enterrar em segredo. Somente mais de 30 anos depois da sua morte, o militar encarregado de o sepultar divulgou os pormenores e a localização do sítio do enterro.  Foi então possível localizar as diversas valas comuns que albergaram durante anos os corpos dos guerrilheiros que, depois de exumados, agora descansam todos juntos em Santa Clara, Cuba.

El Che, El Comandante, o Cubano Argentino que morreu na Bolívia: Ernesto Guevara de la Serna.

Z1017876_wmZ1017879_wmZ1017890_wmZ1017896_wmZ1017902_wmZ1017893_wmZ1017898_wmZ1017900_wmZ1017901_wmZ1017700_wmZ1017698_wmZ1017920_wmZ1017741_wmZ1017760_wmZ1017762_wmZ1017764_wmZ1017766_wmZ1017796_wmZ1017792_wmZ1017768_wmZ1017798_wmZ1017801_wmZ1017804_wmZ1017807_wmZ1017808_wmZ1017818_wmZ1017834_wmZ1017822_wmZ1017854_wmZ1017847_wmZ1017840_wmZ1017832_wmZ1017860_wmZ1017863_wmZ1017865_wmZ1017870_wmZ1017864_wmZ1017719_wmZ1017728_wmZ1017729_wmZ1017738_wmZ1017773_wmZ1017782_wmZ1017734_wmZ1017784_wm

E, no caminho aproveitamos para visitar a linda cidade de Sucre e o maior rasto de pegadas de dinossauros do mundo.

Z1017932_wmZ1017934_wmZ1017937_wmZ1017950_wmZ1017949_wmZ1017945_wmZ1017952_wmZ1017977_wmZ1017980_wmZ1017984_wmZ1017991_wmZ1018001_wmZ1018004_wmZ1018018_wmZ1018047_wmZ1017919_wmZ1017914_wmZ1017910_wmZ1017929_wmZ1017924_wm

 

Anúncios

2 thoughts on “RUTA DEL “CHE”

  1. Quantos de nós…..mais velhos…..que vivemos tempos comuns…… vibrámos com a personalidade e ideais do Ché, El Comandante……quantos de nós tivemos o poster com a sua imagem nas nossas casas, sobre as nossas cabeças……
    Obrigada mais esta vez queridos amigos Sol e João e também à Frida que tão longe e por tantos caminhos vos tem levado!
    Um beijo e um forte abraço

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s