Brasil – 2ª Etapa e o Rio

Antes de chegar à cidade do Rio de Janeiro, fizemos uma breve paragem em S. João da Barra.

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Esta linda vilazinha, a poucos quilómetros de Búzios foi uma agradável surpresa, daquelas que só acontecem porque estamos a viajar da maneira que estamos a viajar, com a liberdade de simplesmente avançar sem um destino definido à partida e parar quando estejamos cansados ou no lugar que nos agrade. S. João não faz parte dos roteiros turisticos e muito menos vem referido num qualquer Lonely Planet. E, na verdade, não há nenhuma razão para que esteja, pois não será muito diferente de outras tantas vilazinhas espalhadas pela costa do Brasil, mas para nós foi muito agradável.

No Brasil o preço dos parques de campismo é exorbitante e, se em alguns (muito poucos) o preço se justifica pelas instalações, na maior parte é somente um terreno, umas vezes com algumas árvores, outras não, água quente, mas nem sempre e quase nunca acesso à internet. Assim, a nossa opção mais regular para ficar a pernoitar tem sido a rua e as estações de serviço, pelo que a verdade é que tem sido no Brasil que a nossa Amália Frida mais nos tem feito poupar dinheiro. Mesmo num camping, a nossa estadia teria ficado por 25 a 30 usd por dia, o que significa que como já cá estamos à cerca de 45 dias poderia ter significado algo como 1300usd, ou seja, uma poupança incrível.

Pois, em S. João da Barra, a opção não foi diferente e, numa bela pracinha entre o rio e o mar, junto ao uma igreja do séc. XVI, passamos uma noite tranquila e agradável, junto a pescadores nocturnos que vêm tentar a sua sorte à luz do luar.

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No dia seguinte, ao despertar, fomos esperar os pescadores que regressavam da faena nocturna e que simplesmente desembarcam directamente na praia onde vendem peixe e marisco a um preço tão baixo que quase se pode dizer que é oferecido. E é aí, mesmo na areia onde se compra o peixinho.

Tentamos comprar somente peixe para esse dia e para o seguinte, mas o peixe acabou por durar quase uma semana, pois além de camarões e um “namorado” fomos quase obrigados a comprar 1kg de faneca, supostamente 1kg, mas na verdade era muito mais, porque o senhor que estava a vender a faneca, só queria vender 4kg por 10 reais, o que dá algo como 0,8€ por kilo… bem, foi um fartote de faneca… assada, frita, de todas as maneiras, isto além de uma bela pasta de marisco e uns ricos ceviches.

Seguia-se a tão famosa Búzios. Aclamada como a Riviera brasileira, Buzios tem fama pela sua beleza e por ser o local de retiro do jet set do Rio.

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Quando era apenas uma vilazinha pescatória de baias e enseadas de águas calmas e tranquilas, Búzios recebeu a visita de Brigitte Bardot e, a partir daí, tornou-se lugar de moda.

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A entrada em Búzios não poderia ter começado da pior maneira… ainda mal tinhamos entrado na cidade quando fomos albarroados por um autocarro. Um acidente sem consequências de maior, mas que nos fez ficar sem o nosso suporte de garrafões de gasolina extra, suporte que nós tinhamos construído com as nossas próprias mãos com a ajuda do nosso mestre Arre. No final, obtivemos uma pequena indemnização por parte da empresa de autocarros, pelo que nem tudo foi mau.

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Depois deste incidente, lá conseguimos um lugar para parar o carro numa estradinha sem saída, ou melhor cuja única saída era a areia da praia e, com o consentimento dos locais, aí assentamos arraiais e passamos uns simpáticos dias conhecendo as diversas praias da zona e, ainda tivemos o prazer de conhecer uma simpática família alemã com que pudemos trocar algumas experiências e dicas sobre viagem, uma das quais nos seria incrivelmente útil no nosso seguinte destino, o Rio.

Era o Encontro Mundial da Juventude nas praia de Copacabana e, a visita do Papa Francisco congregou milhões de pessoas na capital do Samba.

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Decidimos então fazer mais um compasso de espera e visitar a cidade Imperial de Petrópolis e Itaipava, ja a muito poucos quilómetros do Rio.

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Só pela estrada e pelas vistas da serra já vale a pena o desvio. Tuneis que nos fazem conhecer as entranhas da serra seguidos de viadutos que nos parecem fazer voar ao redor das montanhas, numa subida e depois descida (no regresso) espectaculares.

O museu Imperial, antigo Palácio de férias da família imperial brasileira é sem dúvida um local a não perder. É o único museu que conheço em que aos visitantes são emprestadas uma espécie de pantufas para usar por fora dos sapatos e então a visita ao museu faz-se literalmente deslizando de sala em sala. A carta aurea é parte da exposição e parar uns momentos para contemplar este documento que declarou a abolição da escravatura no Brasil é sem dúvida uma oportunidade para reflectir sobre tantas injustiças cometidas pelo Homem no passado, mas sobretudo nas que ainda se comentem actualmente e como o Humanidade parece não aprender com os seus próprios erros. Que pena que não se podem tirar fotos no seu interior…

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Os jardins também são muito bonitos e não faltou até uma árvore das Patacas.

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Tivemos a sorte de entrar em Petrópolis em pleno Festival de Inverno, o que significou que nos embriegamos de expressões culturais do mais diverso tipo. Teatro, Música (destaque para o concerto dos Paralamas do Sucesso, um clássico), Capoeira, Poesia… um pouco de tudo, por todo o lado.

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Sede do Festival, a Quinta da Quitandinha, construída para ser o maior Casino da América do Sul foi a nossa morada em Petrópolis.

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A Serra significa neblina, nevoeiro, chuva, resumindo… muita água, pelo que passamos uns dias sem ver muito sol, mas o aspecto místico da cidade debaixo deste manto de humidade também foi bastante interessante para variar um pouco e quase nos fez lembrar o Porto 🙂

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Seguia-se então, finalmente, a tão esperada cidade do Rio de Janeiro.

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A chegada ao Rio, apresentava-nos um problema: onde ficar? O Rio não é uma cidade qualquer, pelo que estacionar num qualquer lugar e rezar para estar em segurança não era propriamente uma opção. Então resolvemos tentar o Couchsurfing e contactar alguns hostels com estacionamento que nos pudessem receber. Não obtivemos resposta positiva de nenhum CS e conseguir lugar nos hostels também não estava fácil, sobretudo porque a visita do Papa ainda se fazia sentir e ainda havia uma grande ocupação de alojamentos devido ao evento.

Foi então que a dica que os nossos amigos alemães partilharam conosco nos serviu às mil maravilhas. Quem viaja por terra e chega ao Rio, fica na Praia Vermelha, junto ao Pão-de-Açucar. Toda esta zona, além de ser uma das mais turísticas do Rio pois é o acesso a um dos seus mais conhecidos cartões de visita é também uma zona militar, pelo que tem segurança 24h por dia. Não podíamos estar melhor localizados e mais seguros. E, que privilégio, pois nessa zona nem sequer há hotéis, pelo para dormir aí, só mesmo numa combi ou algo do género.

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Além, disso, é uma praia muito pequenina, mas muito tranquila, ao contrário das suas vizinhas Copacabana e Botafogo, rodeada de um parque natural de mata Atlântica, tão pacífica que parecia dificil acreditar que estavamos rodeados por 10 milhões de pessoas. Há noite, pequenos grupos de amigos vêm até à praia e juntam-se na areia a conversar, tocar música ou simplesmente a tomar umas cervejas, o que tornava as noites ainda mais agradáveis e nos fazia sentir no meio de um episódio de uma novela.

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Por alguns dias, deixamos o nosso “fato” de viajantes e fomos verdadeiros turistas. Subir ao Pão-de-Açucar e ao Corcovado, passear por Copacabana, Ipanema e Leblon, visitar o Maracanã e o Sambódromo… conhecer o Rio dos postais.

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Claro que um verdadeiro turista, por exemplo, não leva o champô na mochila e aproveita os chuveiros da praia de Copacabana para tomar banho, mesmo no meio da praia e com centenas de milhares de pessoas à sua volta… bem, pelos vistos nem mesmo no Rio fomos completamente 100% turistas 🙂 Um piquenique na Lagoa Rodrigues de Freitas também foi um desses momentos que nos fez sentir quase Cariocas por breves momentos.

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Mas, um dos pontos altos da visita à Cidade Maravilhosa foi sem dúvida a oportunidade de rever um velho amigo, conhecer as suas princesinhas gémeas e provar uns belos petiscos cariocas acompanhados de uns quantos choppes num dos melhores botecos do Rio, num ambiente tipico da cidade, com toda gente conversando, bebendo e comendo, sentados ou em pé, numa amálgama de ruído, vozes e gritos (e nem sequer era dia de bola, senão nem quero imaginar).

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Que mais podemos dizer do Rio… uma cidade enorme, mas com tanta natureza que nos faz esquecer muita vezes a sua verdadeira dimensão. Praias lindas onde conseguir espaço para colocar a toalha não é fácil, mas onde o espaço para jogar vólei ou futevolei é respeitado religiosamente. Por todo lado se vê a toda a hora gente fazendo exercício, correndo, andando de bicicleta. Ciclovias por todo lado são um luxo que faz inveja, sobretudo numa cidade onde o trânsito é realmente caótico. Sim, aqui parece que viver longe do trabalho pode ser realmente um inferno, pelo que compreendo perfeitamente a desculpa do Seu Jorge quando diz… “hoje à tarde a ponte engarrafou…”.

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Agora segue-se Paraty onde nos despediremos do Estado do Rio e continuaremos rumo ao Sul… São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul serão os estados que percorreremos até chegar ao Uruguai.

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Boas Viagens e até já!!!!

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