Sou Português… mas, não só!

Castelo dos Mouros, Sintra, Portugal

Alguns meses de viagem, praia, calor, nostalgia e saudades e uma tarde de domingo são a inspiração suficiente para escrever umas quantas palavras que saem da alma… Abraços e boa viagem!

Sou Português… mas, não só!

Sou Português, não por causa de uma bandeira verde e vermelha ou por achar que faço parte de um “nobre povo” ou de uma “nação valente e imortal”. Sou português porque compreendo intensamente o significado da palavra SAUDADE, sou Português porque adoro uma Francesinha, uma Sardinha Assada com broa e pimento assado, um belo Bacalhau à Lagareiro, ou simplesmente um fino com um prato de tremoços numa esplanada à beira mar, onde sinto o cheiro inconfundível de uma maresia que não encontrei nunca em qualquer outra parte do mundo.

Mas também sou Angolano, porque me apaixonei pelo olor a esse calor húmido na ressaca de uma chuvada sobre a terra seca que também só senti em África ou pelo sorriso de um menino de 3 anos que às 6 da manhã, ao mais pequeno sinal de alguma música vinda dos altifalantes de um qualquer carro que se tentava escapar ao trânsito numa qualquer viela dos kimbos de Luanda, dançava com a sua escova de dentes na mão.

Mas também sou Mexicano, porque este país me deu o amor da minha vida… sou também Mexicano porque adoro enrolar uma tortilha e entre salsas, sal e limão e transformar algo tão simples num iguaria soberba, num qualquer posto de rua colocado num qualquer passeio de uma das maiores cidades do mundo ou num pueblito esquecido nesta enorme extensão de terras onde as fronteiras deveriam significar muito pouco e significam tanto.

Mas também sou Porteño porque durante 15 dias pude experiementar um pouquinho de uma primavera florida com olor a tango ou Polaco porque aí vivi 6 meses que mudaram completamente a minha vida e a minha maneira de pensar e me fizeram querer explorar este mundo tão grande e com tantas diferenças, mas ao mesmo tempo com tantas coincidências.

E agora sou também Americano, porque percorro as estradas deste continente que com as suas tão grandes contradições procura muitas vezes esconder a sua identidade tão marcada que depois de tantos séculos nunca pôde ser apagada e que ainda hoje se vê nos gestos, nas tradições, na bondade e nas feições de milhões de pessoas pelas quais diariamente passamos neste percurso que mais que físico é também espiritual e que muitas vezes transforma esta viagem de milhares de quilometros numa introspecção natural ao nosso mais intimo.

Todos os dias aprendo e por isso todos os dias me transformo. Muitas vezes, basta somente, um olhar, um sinal ou uma melodia, para que no vazio da estrada a mente vagueie pelos sentimentos e muitas vezes por pensamentos pré-concebidos que nunca pusemos em causa e que agora deixam de ter razão de ser. Ao mesmo tempo que vislumbro tantos paradoxos verifico que os paradigmas que sempre dei como infalíveis se diluem na verdade do conhecimento e se tranformam em dogmas ultrapassados e que necessitam de ser vencidos, por mim, por nós, por todos.

Viajo porque num minuto em viagem consigo experienciar uma amálgama de sensações e uma mistura de sentimentos que muitas vezes não sinto num ano inteiro que passo parado à margem da vida, simplesmente sobrevivendo à marcha imparável do tempo.

Não busco nesta viagem um significado para a vida ou uma experiência transcendental, muito menos busco uma justificação para a mesma. Não, Viajo porque adoro… simplesmente por isso. Não sou hoje em dia um turista mas, sim, um viajante. Não procuro ultrapassar a vertigem do tempo na busca incessante do maior número de sensações e imagens que justifiquem as férias que obsecionei durante todo o ano… não, esse é o maior luxo de ser um viajante… simplesmente viver a viagem e esperar ser encontrado pelo destino. O destino final é apenas uma miragem e não uma obseção. O importante é o caminho e as pessoas… o importante é parar e disfrutar… amar a quem te recebe de braços abertos e partilha contigo um pouco da sua vida, dos seus sonhos e frustrações como se te conhecesse toda a vida… assim se fazem amizades efémeras, que permanecem para toda a vida.

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2 thoughts on “Sou Português… mas, não só!

  1. Beeeeeeeeeeeelo!
    Profundo, intenso…..
    Por várias vezes a emoção……… a vibração da energia no coração………. fez saltarem lágrimas saudosas……. desses espaços e sentimentos aí tão intensamente vividos….não por mim…. por vós!
    Continuem com o vosso espírito de usufruírem cada instante e obrigada por transmitirem esses deste modo a vossa vivência…. permitindo vivê-la ….também!

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